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Estratégia e Performance

Como calcular o custo de participar de uma licitação (e saber se compensa)

Aprenda a calcular os custos diretos, indiretos e de oportunidade de uma licitação pública. Veja como evitar contratos deficitários com a Lei 14.133/2021.

Participar de uma licitação pública exige mais do que preparar uma proposta competitiva. É preciso calcular todos os custos envolvidos – diretos, indiretos e de oportunidade – para saber se o contrato realmente compensa. Sem esse cálculo, a empresa corre o risco de vencer a disputa e perder dinheiro.

Como estruturar os custos diretos e indiretos?

Os custos diretos são aqueles diretamente ligados ao objeto da licitação: matéria-prima, mão de obra alocada, transporte e embalagem. Já os custos indiretos incluem despesas operacionais como aluguel, energia elétrica, depreciação de equipamentos e salários da administração. A soma dos dois forma o custo total do contrato.

Tipo de custoExemplosComo calcular
DiretosMatéria-prima, mão de obra direta, freteRateio por unidade produzida
IndiretosAluguel, energia, salários admin.Rateio proporcional ao tempo ou receita

Os tributos também entram no cálculo. Conforme o regime tributário da empresa (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real), a carga varia. O Sebrae oferece uma calculadora de custos para ajudar PME a estimar esses valores.

Qual a importância do custo de oportunidade na licitação?

O custo de oportunidade representa o valor que a empresa deixa de ganhar ao dedicar recursos a uma licitação em vez de outra alternativa de negócio. Por exemplo, se a equipe de produção leva 30 dias para entregar um lote, esse tempo deixa de gerar receita em outros contratos.

Para calcular o custo de oportunidade, estime o faturamento médio que a empresa teria no mesmo período com outro cliente ou serviço. Subtraia o lucro da licitação desse valor. Se o resultado for positivo, a licitação compensa; se negativo, melhor buscar outro negócio.

Como avaliar riscos operacionais e legais?

A Lei 14.133/2021 exige que os editais prevejam uma matriz de alocação de riscos, especialmente para obras e serviços de engenharia. A matriz identifica quais riscos ficam com a Administração e quais com o contratado.

Além dos riscos previstos, existem custos ocultos: envio de amostras, emissão de garantias (caução, seguro-garantia), deslocamentos para visitas técnicas e certidões de regularidade fiscal. Esses gastos devem ser somados ao custo total da proposta.

A capacidade técnica de entrega também é um risco. Se a empresa não consegue cumprir o prazo ou a quantidade, pode sofrer sanções como multa ou impedimento de licitar. Inclua no custo uma margem de contingência para cobrir imprevistos.

Qual a estratégia de precificação: valor ideal e de corte?

O valor ideal é o preço que cobre todos os custos e ainda gera a margem de lucro desejada pela empresa. Já o valor de corte é o preço mínimo que cobre os custos diretos e indiretos, sem margem de lucro – o limite abaixo do qual o contrato dá prejuízo.

Ao definir o preço da proposta, a empresa deve calcular ambos os valores. O valor ideal serve como referência de negociação; o valor de corte é o piso intransponível. Em licitações de menor preço, a disputa pode pressionar o preço para baixo. Saber o valor de corte evita aceitar um contrato deficitário.

Por exemplo: se o custo total estimado é R$ 100 mil e o lucro desejado é 20%, o valor ideal é R$ 120 mil. Se o lance chegar a R$ 105 mil, ainda cobre os custos (valor de corte = R$ 100 mil), mas a margem é pequena. Abaixo de R$ 100 mil, o contrato gera prejuízo.

Perguntas frequentes

Como incluir os tributos no cálculo de custos?

Os tributos devem ser calculados com base no regime tributário da empresa e no tipo de serviço ou produto. No Simples Nacional, há alíquotas unificadas; no Lucro Presumido, é preciso somar IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e ISS. Consulte seu contador para calcular a carga exata por contrato.

O que fazer se o edital não prevê matriz de riscos?

Se o edital não incluir matriz de alocação de riscos, a empresa deve assumir todos os riscos implicitamente. Nesse caso, é recomendável incluir uma margem de contingência maior na proposta para cobrir imprevistos sem prejuízo.

Qual a diferença entre valor de corte e valor ideal?

O valor ideal inclui a margem de lucro desejada; o valor de corte cobre apenas os custos. O valor de corte é o preço mínimo que não gera prejuízo, enquanto o valor ideal é a meta de rentabilidade.

Como calcular o custo de oportunidade de forma prática?

Levante o faturamento médio diário da empresa e multiplique pelos dias que serão gastos na licitação. Compare com o lucro esperado do contrato. Se o lucro for menor que o faturamento perdido, a licitação não compensa.

Quais custos ocultos são mais comuns em licitações?

Os custos ocultos incluem certidões, garantias, amostras, visitas técnicas e o tempo da equipe para preparar a proposta. Esses gastos devem ser listados e adicionados ao custo total antes de definir o preço final.