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Inteligência de Mercado

Como calcular o ticket médio de compras do seu segmento pelo PNCP

Aprenda a extrair dados do PNCP, calcular o ticket médio por segmento usando média e mediana, e aplicar essa métrica na estratégia comercial para licitações públicas.

O ticket médio em licitações públicas representa o valor médio gasto por contratação em um determinado segmento. Calcular essa métrica é essencial para empresas que desejam precificar propostas, identificar oportunidades e dimensionar o mercado. O PNCP (Portal Nacional de Contratações Públicas) disponibiliza publicamente todos os contratos e atas da administração pública federal, estadual e municipal, conforme o art. 174 da Lei 14.133/2021. Com os dados abertos do portal, é possível calcular o ticket médio por segmento, produto ou região e embasar decisões comerciais.

Como acessar dados de contratações no PNCP?

A consulta manual pode ser feita diretamente no site do PNCP, filtrando por objeto (palavras-chave do segmento), UF e período. O resultado exibe contratos, atas e intenções de registro de preços com valores atualizados. Para extrair grandes volumes – necessários para um cálculo estatístico robusto – a API de Dados Abertos do PNCP é o caminho mais eficiente. A API permite consultas programáticas por JSON ou CSV, sem necessidade de login. Consulte o endpoint de contratos disponível no portal oficial e filtre por código do órgão, ano e situação.

Exemplo prático de consulta pela API (em Python):

import requests

url = "https://pncp.gov.br/api/pncp/v1/contratos?ano=2024&orgao=200000&situacao=vigente"
response = requests.get(url)
dados = response.json()

O campo valorGlobal retorna o valor total do contrato. Some todos os valores e divida pelo número de contratos para obter o ticket médio bruto. A IN SEGES/ME nº 65/2021 recomenda, para pesquisa de preços, usar a mediana como medida de tendência central, evitando distorções por valores extremos.

Armadilha comum: muitos usuários esquecem de filtrar a situação do contrato. Contratos encerrados ou rescindidos podem ter valores parciais; prefira contratos "vigentes" ou "homologados" para maior precisão.

Qual a metodologia para calcular o ticket médio?

O cálculo do ticket médio é direto: divida a soma do valor global dos contratos pelo número total de contratações no período. Contudo, este valor pode ser influenciado por outliers – contratos muito altos (ex.: obras de grande porte) ou muito baixos (ex.: compras de materiais de escritório). Por isso, o TCU e a IN SEGES/ME nº 65/2021 indicam o uso complementar da mediana. A mediana é o valor central da lista ordenada de contratos; metade fica abaixo, metade acima. Ela dá uma visão realista do que o governo realmente paga na maioria das contratações.

Passo a passo prático:

  1. Extraia a lista de contratos do segmento desejado (ex.: "serviços de limpeza") do PNCP, filtrando por ano e situação.
  2. Organize os valores globais em ordem crescente.
  3. Calcule a média: some todos e divida pelo total.
  4. Calcule a mediana: se o número de contratos for ímpar, pegue o valor central; se par, faça a média dos dois valores centrais.
  5. Compare média e mediana. Se a distância for maior que 30%, suspeite de outliers e investigue.

Exemplo com dados hipotéticos:

ContratoValor (R$)
110.000
212.000
315.000
418.000
5500.000
  • Média: (10+12+15+18+500)/5 = R$ 111.000
  • Mediana: valor do 3º contrato (ordem crescente) = R$ 15.000

A mediana de R$ 15.000 reflete melhor o ticket usual; a média foi inflada pelo contrato de R$ 500 mil. A Lei 14.133/2021 exige pesquisa de preços para estimativa de valor, e a mediana é um critério aceito pelo TCU.

Armadilha comum: não agrupar corretamente o segmento. Se o objeto for genérico demais (ex.: "serviços"), mistura-se limpeza, vigilância e TI, distorcendo a análise. Filtre por palavras-chave do seu mercado específico, como "limpeza predial" ou "serviços de vigilância armada".

Quais as limitações dos dados do PNCP?

A precisão do ticket médio depende da qualidade dos dados inseridos pelos órgãos contratantes. Se o contrato for cadastrado com valor estimado em vez do valor real, ou se houver erro no código do objeto, o cálculo fica comprometido. Além disso, a busca nativa do PNCP pesquisa apenas no campo "objeto", não varrendo a íntegra dos editais. Isso pode omitir contratos cujo objeto não contenha a palavra exata pesquisada, mas que pertençam ao segmento.

Outra limitação: órgãos que ainda utilizam a Lei 8.666/93 (revogada) podem não ter todos os dados migrados para o PNCP. O prazo final de migração foi 30/12/2023, mas muitos municípios pequenos ainda estão em adaptação. Dados históricos anteriores a 2024 podem estar incompletos.

Como contornar:

  • Utilize a API com filtros amplos e depois refine localmente.
  • Valide os resultados cruzando com o comprasnet (compras.gov.br) para órgãos federais.
  • Ignore contratos com valor zero ou muito abaixo do esperado (possíveis erros de digitação).

Como usar o ticket médio na prática?

Empresas de todos os portes usam o ticket médio para definir preço de proposta e planejar capacidade. Por exemplo, uma empresa de limpeza que descobre que o ticket médio do segmento é R$ 15 mil pode ajustar seus lances para ficar entre R$ 12 mil e R$ 18 mil, maximizando chances sem subprecificar. A mediana é referência para o valor esperado, enquanto a média serve como limite superior.

Em licitações reais, a IN SEGES/ME nº 65/2021 recomenda usar a mediana como parâmetro principal na pesquisa de preços. Ao calcular seu próprio ticket médio, você se antecipa à concorrência e estrutura propostas mais competitivas.

Perguntas frequentes

Como baixar todos os contratos de um segmento no PNCP?

Acesse a API de Dados Abertos do PNCP e use o endpoint de contratos com filtros por órgão, ano e situação. Para volume total, é necessário paginar os resultados (parâmetro pagina). O download em CSV também está disponível no portal, mas com limite de linhas.

Devo usar média ou mediana para definir meu preço?

Use a mediana como referência principal, pois ela resiste a outliers. A IN SEGES/ME nº 65/2021 recomenda a mediana para pesquisa de preços. A média pode ser usada como valor máximo aceitável.

O PNCP tem dados de todos os municípios?

Nem todos. Pequenos municípios ainda estão em processo de integração. A Lei 14.133/2021 obriga todos os entes a publicarem no PNCP, mas a adesão ainda é gradual.

Como identificar outliers nos dados?

Calcule o desvio padrão ou aplique o método do boxplot: valores acima de 1,5 vezes o intervalo interquartil (Q3 - Q1) são considerados outliers e devem ser analisados.

Qual a vantagem de calcular o ticket médio?

Empresas usam o ticket médio para precificar propostas, identificar faixas de oportunidade (evitar contratos muito pequenos ou muito arriscados) e dimensionar a capacidade produtiva. Com base nessa métrica, é possível decidir focar em licitações de alto ou baixo valor.