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Estratégia e Performance

Precificação de propostas de licitação: guia para preservar a margem

Monte a planilha de custos, calcule o BDI e evite propostas inexequíveis. Guia prático para precificar licitações preservando a margem de lucro com segurança.

Precificar uma proposta de licitação envolve montar uma planilha de custos que separa custos diretos e indiretos e aplica o BDI para cobrir despesas administrativas, tributos e lucro, conforme a Lei 14.133/2021. Uma precificação mal feita pode tanto eliminar a margem de lucro quanto levar à desclassificação por inexequibilidade.

Quais são os componentes essenciais da planilha de custos?

Custos diretos são aqueles diretamente vinculados ao objeto: materiais, mão de obra, equipamentos, fretes e insumos específicos. Custos indiretos incluem despesas administrativas, aluguel, energia, seguros e tributos.

O BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) é o percentual aplicado sobre o custo direto para cobrir despesas indiretas, tributos (PIS, COFINS, ISS, IRPJ, CSLL), riscos contratuais e a margem de lucro. Na Lei 14.133/2021, o art. 23 exige que o orçamento estimado inclua BDI explicitado. Para montar o BDI, use a fórmula:

BDI = [(1 + taxa de despesas indiretas) / (1 – (tributos + taxa de risco + margem líquida))] – 1.

Exemplo: se os tributos somam 10%, riscos 2% e margem desejada 8%, o denominador é 0,80, e com despesas indiretas de 15% o BDI fica aproximadamente 43,75%.

Tipo de custoExemplosObrigatório no BDI?
DiretosMateriais, mão de obra, equipamentosNão (custo base)
IndiretosAdministração, aluguel, segurosSim
TributosPIS, COFINS, ISS, IRPJ, CSLLSim
RiscoGarantia contratual, mobilização, capital de giroSim
LucroMargem líquida desejadaSim

Uma armadilha comum é esquecer custos como garantia contratual (exigida em até 5% do valor do contrato), despesas de mobilização e desmobilização, e custos financeiros do capital de giro. Itens como garantia contratual, despesas de mobilização e custos financeiros do capital de giro devem estar embutidos no BDI, sob risco de a proposta ficar abaixo do custo real.

A Lei 14.133/2021 também prevê que a Administração pode considerar o custo total de propriedade (TCO) na avaliação das propostas. Para itens como equipamentos, o TCO inclui manutenção, peças de reposição e consumo de energia. Empresas que oferecem menor preço inicial podem perder se o TCO for maior. Por isso, ao precificar, simule o custo de pós-venda e inclua no BDI uma provisão para assistência técnica.

Quais estratégias usar no pregão eletrônico?

No pregão eletrônico, a disputa por lances exige uma estratégia de preços definida antes da sessão. Defina dois valores: o valor alvo (preço com margem plena) e o valor de corte (preço mínimo aceitável). O valor alvo é o preço que garante a margem desejada. O valor de corte é o menor preço que ainda cobre custos diretos e indiretos, sem margem ou com margem reduzida. Exemplo: custo total estimado em R$ 100 mil, BDI de 20% → valor alvo R$ 120 mil. Se a margem líquida zero for aceitável, o corte pode ser R$ 110 mil (cobre custos + impostos).

O uso de inteligência competitiva evita guerras de preços cegas. Analise o histórico de lances de licitações anteriores para o mesmo objeto. Ferramentas como as oferecidas pela Lisix mostram o histórico de preços por item praticado em órgãos públicos, permitindo definir lances realistas sem chutar. Saber que o menor preço histórico para um medicamento foi R$ 5,00 por unidade evita dar lance de R$ 3,00 – o que dispararia bandeira de inexequibilidade.

Erros materiais em planilhas de custos são considerados sanáveis pela jurisprudência do TCU (Acórdão 1.793/2021-Plenário). Se a planilha apresentar erro de soma ou digitação, o licitante pode corrigir dentro do prazo concedido pelo pregoeiro, desde que não altere o valor global. Um erro na planilha, portanto, não deve ser motivo para desistir do lance – mas é melhor evitá-lo revisando os cálculos antes da sessão.

Quais os riscos de uma precificação falha?

O principal risco de uma precificação agressiva é a inexequibilidade. A Lei 14.133/2021, no art. 59, estabelece que propostas com preços manifestamente inexequíveis serão desclassificadas. O critério objetivo é: para serviços de engenharia, preço global inferior a 70% do orçamento estimado; para demais itens, preço unitário inferior a 70% da média dos demais licitantes. Se seu preço ficar abaixo desse piso, a Administração exigirá comprovação de exequibilidade – e você pode perder o contrato mesmo vencendo.

Fora a desclassificação, uma proposta abaixo do custo real compromete o fluxo de caixa. A execução contratual exige capital de giro para comprar insumos, pagar salários e cumprir prazos. Se o preço não cobre esses gastos, a empresa pode falir no meio do contrato, gerando multas e inidoneidade. Por isso, o planejamento financeiro deve considerar o cronograma de desembolsos e o prazo de pagamento do órgão (muitas vezes 30 a 60 dias após a medição).

Outro risco é a ausência de custos invisíveis no planejamento. Exemplos: taxas de administração de convênios, custos de garantia (seguro-garantia ou caução), despesas com frete para locais remotos, encargos trabalhistas sazonais (13º, férias, multa rescisória). Itens como garantia contratual, despesas de mobilização e custos financeiros do capital de giro devem estar embutidos no BDI, sob risco de a proposta ficar abaixo do custo real. Levante todos os custos ocultos com base em editais anteriores e na realidade da sua operação.

Perguntas frequentes

O que é BDI e como calculá-lo?

BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) é o percentual aplicado sobre o custo direto para cobrir despesas administrativas, tributos, riscos e lucro. Para calcular, use a fórmula: BDI = [(1 + despesas indiretas) / (1 – (tributos + risco + margem))] – 1. Cada item deve ser baseado em dados reais da empresa e do contrato.

Como saber se meu preço é inexequível?

Na Lei 14.133/2021, para obras e serviços de engenharia, o preço global inferior a 70% do orçamento estimado é considerado inexequível. Para outros itens, o critério é o preço unitário inferior a 70% da média dos demais licitantes. Ficar acima desse piso não garante exequibilidade – a Administração pode questionar se houver indícios de preço irreal.

Qual a margem de lucro ideal para licitações?

Não existe percentual fixo. Depende do setor, do risco e do porte da empresa. Margens típicas variam de 5% a 15% para bens e serviços comuns, e de 8% a 20% para serviços de engenharia. O importante é que a margem seja calculada após todos os custos e tributos, não sobre o custo direto bruto. Use a planilha de custos completa para chegar ao lucro líquido desejado.

Posso corrigir erro na planilha depois do lance?

Sim, desde que seja erro material (soma, digitação) e o valor global não seja alterado. O TCU, no Acórdão 1.793/2021-Plenário, firmou entendimento que esses erros são sanáveis. O pregoeiro pode conceder prazo para ajuste. Ainda assim, revise a planilha antes da sessão para evitar contratempos.

Como usar histórico de preços para definir lances?

O histórico de preços de licitações anteriores mostra o valor praticado por órgãos para o mesmo item. A Lisix disponibiliza essa base por item e por órgão. Com o histórico, você define o valor alvo próximo à média dos vencedores, evitando lances muito altos (perde) ou muito baixos (inexequível). Use como referência, mas ajuste com base no seu custo real.